domingo, 12 de agosto de 2007

Asas


Eles são muitos, mas não podem voar
(Ednardo)

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Sabático


Tenho um amigo (esse da foto, à esquerda, bem estiloso) que fez os 800km da caminhada de Santiago de Compostela. Imagino como deve ser, o que se faz e o que se pensa. Estou tentando fazer uma caminhada, mas bem reduzida.

Acho que todos deveria ter um período sabático. Eu vou fazer o meu.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A irresistível corda do caranguejo

Escrevi este texto dia 5/3/2007, depois de um carnaval na Bahia ao lado de Paulinho, Barbie, João, Gabi, Lívia e Augusto. Depois de um trio com o Babado Novo.



A corda do caranguejo arrebentou com as minhas pernas. Não aquele que enfileira a contragosto os crustáceos peludos dentro dos balaios nordestinos de feira malcheirosa. Aquela, suja e rota, é bem vista em dedos calejados de desentocar os parrudos lamacentos. Dedos que amarram com maestria cada um dos bichinhos que são saboreados com pancadas certeiras ou não nos quadradinhos de madeira e martelinhos improvisados de barracas nas praias.

Não, a corda que me arrebentou enfileirava braços suados e rostos felizes, que pulavam desorganizadamente em fileiras pra lá e pra cá.

A massa caranguejeira que só anda de lado, não pára, não cansa, segura na corda e vai no embalo.

Fui na primeira, na segunda e, na terceira, já estava tal qual uma moqueca de siri catada. Aos pedaços, a quarta corda foi só com os ombros e a cabeça.

Quem já pulou uma corda dessa sabe do que estou falando. Aquele cansaço imediato, que deixa o pobre exausto. Para, no dia seguinte, se transformar em dor da ponta da unha do dedão até o fio de cabelo da moleira.

Dói tudo. Pés em bolhas, sola inchada, dedos esmigalhados e tênis imundo.

Mas a alma lavada.

A primeira corda de caranguejo não se esquece. Duas semanas depois, e ainda tenho o osso da canela, os joelhos e os pés com dores inconfessáveis.

É, ando assim: meio de banda, tal qual um caranguejo.

sábado, 21 de julho de 2007

Olho de Thundera



Aquele que tudo vê. A visão além do alcance.

O saco plástico e a carreira

E um amigo me conta sobre a singela mania de um jornalista que insiste em carregar um saco plástico dentro da bolsa/mochila. Ao ser perguntado, ele diz na maior candura: é para o dia de amanhã. Explico: ele não quer ser surpreendido com uma demissão e não ter um mísero saco plástico para colocar suas coisinhas e sair com alguma dignidade da redação de um jornal carioca.

Entendo a alma sofredora do coleguinha. Eu radicalizei. Não levo saco plástico na bolsa. Aliás, há dois anos resolvi limpar as gavetas e armário com as coisas pessoais que levamos para o local do trabalho: fotos da filha, do marido. Nada disso. Decidi retirar tudo e agora me sinto mais leve. E, se vier a hora da despedida, não precisarei de nenhum saco plástico.

Pode ser besteira minha, mas acho deprimente aquele saco preto, de lixo, carregado de livros, pastas, blocos de anotação. Não, isso me lembra o trabalho da Defesa Civil recolhendo cacos, dejetos.

Resolvi fazer gestão da minha vida e carreira há muito tempo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Umbigo e gestão de pessoas

O problema de gestão de pessoas numa redação é o umbigo.

Aquele umbigo que lida com holofote ocular o tempo todo, que é apalpado, abanado e seduz ao ponto de fixar a atenção do dono do umbigo - este, coitado, fica tão cego diante da luz que não levanta a cabeça. É como se fosse um grande amor por si mesmo. Cada frase, cada palavra, cada asneira assume uma importância além do alcance dos pobres mortais.

Mas, além do umbigo, tem o caranguejo. Explico: o ambiente de uma redação me lembra, muitas vezes, uma corda de caranguejo, onde os bichinhos se debatem e querem sair daquela corda porque sentem o que virá: o calor de uma panela e sua água fervente. É uma briga pela sobrevivência, um passando por cima do outro. Mas, quando se olha a uma curta distância, o que se vê é um emaranhado de pernas que não caminham para lugar nenhum, ficam atadas umas nas outras.

Então imagine: o umbigo e a corda de caranguejo. Tente fazer gestão num clima com essa temperatura.
Não tem curso de gestão que ensine como lidar com o ego alheio, essa tarefa para poucos Hércules. E ego de jornalista é terrível. A arrogância de se achar acima do bem e do mal. Pensar que seu escrito é mais importante do que todo o resto apurado durante o dia.

As apostilas, os artigos de gestão não mencionam isso. Não dá para aplicar num ambiente criativo, como o de uma redação, as fórmulas e pirâmides deste ou daquele autor mirabolante. A teoria nos serve para repensar e ver que é possível fazer diferente. Uma caminhada árdua e sem grandes vales de eco. Coisa para Ghandi.

E um exercício diário para fugir da tentação do nosso próprio umbigo.

Aprendizado



Ouvir, rir, dividir sons e sonhos. Caminhar junto.